
Depois de mais uma eliminação, o ritual se repete: a bandeira guardada, o silêncio nos grupos de WhatsApp, a promessa de que "dessa vez não vou nem assistir". E, quatro anos depois, lá está o brasileiro de novo, vestindo a camisa, torcendo com a mesma intensidade de sempre —como se a última frustração jamais tivesse acontecido.
Esse ciclo de dor e esperança renovada tem uma explicação que vai além do campo, e ela mora na mente de quem torce.
Segundo o psicanalista Christian Dunker, professor titular em Psicanálise e Psicopatologia do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), essa relação intensa começa numa raiz histórica: o futebol funciona como uma narrativa nacional.