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Arara-vermelha-grande volta a se reproduzir na Mata Atlântica baiana quase 200 anos após extinção no bioma

Projeto do Ibama registra primeiros filhotes nascidos na natureza, em Porto Seguro, no sul da Bahia, após reintrodução iniciada em 2022.

Publicada em 30/04/2026 às 08:11h - 21 visualizações

por g1

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Foto: Cetas Porto Seguro/Ibama  (Foto: Foto: Cetas Porto Seguro/Ibama)

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) registrou, neste mês de abril, o primeiro nascimento de filhotes de arara-vermelha-grande (Ara chloropterus) na Mata Atlântica, quase duzentos anos após a extinção da espécie nesse bioma.

O resultado foi alcançado pelo Projeto de Reintrodução da Arara-vermelha-grande na Mata Atlântica, iniciado em 2022, por meio do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama em Porto Seguro, no sul da Bahia.

Segundo o Ibama, trata-se da primeira reintrodução documentada da espécie no bioma, com registro de filhotes nascidos na natureza após a sua extinção no litoral brasileiro, configurando um marco para a conservação da Mata Atlântica.

 

Originalmente, a arara-vermelha-grande possuía ampla distribuição geográfica, ocorrendo em quase todo o Brasil, exceto em alguns estados do Nordeste e do Sul.

A espécie foi registrada na Mata Atlântica desde o ano de 1500, na Carta de Pero Vaz de Caminha, que a descreveu como “papagaios vermelhos, muito grandes e formosos”. A presença dessas aves na Mata Atlântica baiana também foi descrita por viajantes como o príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied, que registrou sua ocorrência entre o Rio Mucuri e Salvador.

Apesar de sua ampla distribuição histórica, o desmatamento e a captura ilegal levaram à extinção da arara-vermelha-grande em todo o litoral brasileiro. Atualmente, as populações selvagens da espécie estão concentradas no interior do país, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Norte.

 

O projeto do Ibama busca reverter esse cenário, promovendo o retorno da espécie ao litoral brasileiro.

Como não existem mais populações selvagens da espécie na Mata Atlântica, os indivíduos utilizados no projeto são oriundos de cativeiro, provenientes de doações de particulares ou apreensões realizadas em ações de combate ao tráfico de animais silvestres.

Ao chegarem ao Cetas Porto Seguro, as aves passam por identificação com microchips e anilhas metálicas, quarentena, avaliação clínica e comportamental e testes sanitários.

Em seguida, são inseridas em viveiros de voo, onde passam por treinamento que inclui condicionamento físico, socialização e adaptação ao ambiente natural, com oferta de frutos nativos e instalação de caixas-ninho artificiais.

A área escolhida para a soltura do primeiro grupo de aves foi um fragmento de Mata Atlântica com cerca de 7 mil hectares em estágio avançado de regeneração, que inclui a Estação Veracel, maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de Mata Atlântica no Nordeste, localizada em Porto Seguro.

No local, foram instalados comedouros e caixas-ninho artificiais para facilitar a adaptação das aves.

O primeiro lote de araras foi solto em 2024. Embora estudos indiquem que o período para reprodução possa chegar a cinco anos, foi observado que algumas caixas-ninho já estavam ocupadas no primeiro ano após a soltura. Em 2026, casais passaram a defender essas estruturas, indicando comportamento reprodutivo.

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