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Denúncias de trabalho escravo atingem novo recorde no Brasil

Foram 4.515 registros em 2025, segundo dados inéditos do MDHC. Construção civil e agronegócio concentram resgates, que somam mais de 65 mil desde 1995.

Publicada em 09/01/2026 às 09:46h - 28 visualizações

por g1

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g1  (Foto: g1)

Brasil registrou o maior número de denúncias de trabalho escravo e de condições análogas à escravidão da história em 2025.

Ao todo, foram 4.515 denúncias feitas ao longo do ano, segundo dados inéditos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) atualizados com exclusividade ao g1.

O número representa um aumento de 14% em relação a 2024, quando já havia sido batido um recorde histórico, com 3.959 denúncias.

O crescimento reforça uma tendência de alta contínua observada nos últimos anos e evidencia a persistência do trabalho escravo contemporâneo no país.

Entre os registros de 2025 estão incluídas denúncias de trabalho escravo infantil, além de situações envolvendo adultos submetidos a jornadas exaustivas, condições degradantes de trabalho, servidão por dívida e restrição de liberdade — características que configuram o crime segundo a legislação brasileira.

 

Janeiro de 2025 foi o mês com o maior número de denúncias já registrado desde a criação do Disque 100, em 2011. Foram 477 denúncias apenas no primeiro mês do ano.

Desde que o canal passou a receber registros sobre trabalho escravo, mais de 26 mil denúncias relacionadas a trabalho escravo e condições análogas à escravidão já foram feitas em todo o Brasil, segundo o ministério.

 

Resgates também seguem em patamar elevado

 

Os dados de denúncias dialogam com o número de resgates realizados pelo poder público. Em 2024, 2.186 pessoas foram resgatadas em situações de trabalho análogo à escravidão no Brasil, segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

De acordo com o último levantamento do MTE, cerca de 65,6 mil pessoas já foram resgatadas de condições análogas à escravidão no país desde 1995 — ano em que o Estado brasileiro reconheceu oficialmente a existência de formas contemporâneas de escravidão.

 

Esse total é resultado de mais de 8,4 mil ações fiscais realizadas em todo o território nacional até dezembro de 2024.

As operações são conduzidas principalmente pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel, coordenado pelo Ministério do Trabalho, com apoio das unidades regionais do órgão nos estados.

 

Construção civil e agronegócio concentram resgates

 

Em 2024, os setores econômicos com maior número de trabalhadores resgatados, segundo a Classificação Nacional das Atividades Econômicas (CNAE), foram:

 

  • ?? Construção de edifícios (293 resgatados);
  • ? Cultivo de café (214);
  • ? Cultivo de cebola (194);
  • ? Serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita (120);
  • ? Horticultura, exceto morango (84)

 

Os dados também revelam uma mudança importante no perfil do problema: 30% dos trabalhadores resgatados em 2024 estavam em áreas urbanas, indicando um crescimento significativo do trabalho escravo fora do meio rural — historicamente associado a grandes propriedades agrícolas.

Especialistas e autoridades destacam que o aumento das denúncias não significa, necessariamente, crescimento isolado do crime, mas também pode refletir maior conscientização da população, ampliação dos canais de denúncia e confiança nos mecanismos de proteção.

Ainda assim, os números elevados indicam que o trabalho escravo segue sendo um problema estrutural no país.

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