
O capitão da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) Mauro Grunfeld, preso na quinta-feira (11) durante a megaoperação contra um grupo criminoso especializado em tráfico de drogas, já havia sido alvo de outras investigações. Em 2024, ele foi preso em uma operação contra a compra e venda ilegal de armas em Salvador. À época, a Polícia Federal (PF) indicou que o esquema abastecia facções criminosas na Bahia.
Dessa vez, Grunfeld é suspeito também de crimes patrimoniais, lavagem de dinheiro e disputa de territórios. Além dele, outras 45 pessoas foram presas no âmbito da "Megaoperação Zimmer", deflagrada pela Polícia Civil. À TV Bahia, a defesa do capitão disse que ainda não teve acesso ao processo sobre a nova prisão.
De acordo com o diretor do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), Thomas Goldino, os presos têm ligação com tráfico internacional de drogas. "Algumas pessoas presas em São Paulo confessaram que levariam drogas para Paris, na França. O grupo criminoso também praticava lavagem de dinheiro, utilizando laranjas e proprietários de pequenos comércios, como uma sorveteria, uma bomboniere e uma loja de água. Havia ainda envolvidos ligados a empresas fantasmas e pessoas que forneciam seus nomes para fraudes, inclusive beneficiários de programas sociais que movimentaram entre um e dois milhões de reais", explicou.
Mauro Grunfeld foi preso pela primeira vez no dia 21 de maio de 2024, quando um esquema multimilionário de compra e venda de armas ilegais por PMs, comerciantes e CACs (Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores) foi alvo da Polícia Federal (PF) na Bahia. Ele era suspeito de participar do esquema criminoso da organização batizada como "Honda".
A "Operação Fogo Amigo" desvendou a ação do grupo e terminou com a prisão de 19 pessoas, dez delas militares.
Conforme a PF, os agentes presos eram responsáveis por apreender os armamentos durante abordagens e não os apresentar às delegacias. Essas armas eram vendidas para facções criminosas.