
A Amazônia vive um momento inédito. Mesmo com o desmatamento tradicional em queda, o fogo cresceu e passou a ser o principal instrumento de destruição, um novo jeito de desmatar, mais barato, mais rápido e muito mais difícil de controlar.
O que antes era exceção, hoje é regra em boa parte da floresta.
O desmatamento clássico, feito com tratores e motosserras, vem sendo substituído por queimadas planejadas e mais discretas, que escapam do radar dos satélites e transformam o fogo em ferramenta.
Foi uma das mais severas da história recente, causada principalmente pelas mudanças climáticas e pela combinação de El Niño e aquecimento global, segundo estudos do Inpe e da Universidade Federal do Pará.
O calor recorde e a chuva escassa deixaram a floresta mais seca do que o normal e assim, o que antes era verde e úmido virou material inflamável.
Com o ambiente mais vulnerável, a estratégia dos criminosos também mudou.
Antes, o ciclo era previsível: derrubava-se a floresta, esperava-se secar e só então o fogo era ateado para “limpar” o terreno.
Agora, o processo se inverteu. Primeiro vem a extração ilegal de madeira, que abre clareiras e trilhas, deixa a floresta mais exposta e seca, e só depois entram as queimadas.
O custo é menor e o risco de detecção é mais baixo, porque o terreno não fica totalmente nu.
As áreas degradadas se disfarçam em meio à vegetação, e o desmatamento avança sem ser registrado imediatamente pelos satélites.
?ENTENDA: Esse modelo de destruição seletiva, além de mais barato, é altamente eficiente para quem lucra com a ocupação ilegal de terras.
Não é preciso trator nem maquinário pesado: bastam caminhões pequenos, motosserras e combustível.
O resultado é devastador. Áreas inteiras são degradadas aos poucos, sem alarde, até se tornarem combustível perfeito.