
O principal suspeito de comandar a lavagem de dinheiro do PCC montou uma rede de empresas em nome de parentes e de laranjas para movimentar R$ 52 bilhões do crime organizado.
Mohamad Hussein Mourad aparece como figura central do esquema do PCC, segundo os investigadores. A força-tarefa afirma que o empresário chefiava uma rede de empresas que estava presente em todas as etapas da cadeia de produção e venda de combustíveis.
Para não chamar a atenção das autoridades, Mohamad colocou à frente dessas empresas os parentes. O pai dele, Hussein Ali Mourad, é sócio de uma distribuidora de combustíveis com unidades em Paulínia, no interior de São Paulo, e Osasco, na Região Metropolitana, e de uma rede de postos em Santos.
A mãe de Mohamad, Khadige Mourad, era dona de lojas de conveniência, que foram transferidas para a filha, Amine Hussein Ali Mourad. Amine chegou a ser proprietária de 168 lojas de conveniência, mas fechou todas as filiais, ao mesmo tempo, em 2023. Segundo a força-tarefa, as lojas foram repassadas para outras pessoas ligadas ao grupo criminoso. Os investigadores também encontraram o nome de Amine como proprietária em postos, motéis e armazéns de combustíveis.
À medida que os negócios do grupo se expandiam, Mohamad incluía mais familiares no esquema. Armando Hussein Ali Mourad, irmão de Mohamed, assumiu postos e uma distribuidora de combustíveis em Goiás. E o primo, Himad Abdallah Mourad, era um dos principais testas de ferro de Mohamad, segundo os investigadores. Himad foi diretor de uma empresa que controlava 103 postos de combustíveis e sócio de uma locadora de veículos. Ainda aparecia como cotista de fundos de investimentos. Em um deles, o saldo disponível ultrapassava os R$ 53 milhões.
A mulher de Mohamad, Silvana Correa, era titular de uma previdência privada com saldo de R$ 45 milhões. Segundo os investigadores, a renda dela não era compatível com esse investimento. Ainda de acordo com os promotores, Silvana também foi sócia de empresas e atuava como laranja do marido.