
Era 30 de agosto de 2023, mais um dia de Operação Escudo, quando a vida do motoboy Evandro Alves da Silva virou de cabeça para baixo. Policiais militares atiraram enquanto ele estava nu e usava o banheiro num imóvel onde funcionava um ponto de apoio para mototaxistas no Morro José Menino, em Santos, litoral de São Paulo.
O episódio completou dois anos no sábado (30). O g1 e a GloboNews obtiveram com exclusividade as imagens das câmeras corporais que registraram a ação dos agentes (veja acima).
Naquele dia, para tentar sobreviver, Evandro — mesmo baleado com tiros de calibre 12 — pulou a janela do banheiro, após quebrar o vidro, e caiu de uma altura de 7 metros nos fundos da casa.
Em depoimento, os PMs alegaram estar em patrulhamento no morro, quando diversos suspeitos correram para uma viela após avistarem a viatura. Eles, então, desceram do carro e correram até o imóvel, onde Evandro estaria armado.
Contudo, as imagens das câmeras corporais revelaram outra versão dos fatos. Mostram que Evandro estava no banheiro no momento em que foi atingido. Os vídeos registram que ele levou disparos, pulou de uma altura de 7 metros, estava sem roupas e pediu ajuda agonizando.
O motoboy contou ao g1 que havia sido abordado por policiais encapuzados dois dias antes de ser baleado. Na ocasião, os agentes invadiram o imóvel para questioná-lo sobre possíveis antecedentes criminais (leia mais abaixo).
Por conta do ocorrido em 2023, ele foi indiciado pela Polícia Civil pelos crimes de resistência e porte ilegal de arma. Dois anos após o episódio, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ainda não ofereceu a denúncia à Justiça nem solicitou o arquivamento do caso.