
O presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), uma das entidades suspeitas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Carlos Roberto Ferreira Lopes, participa de conselho do governo e chegou a fazer uma parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Além disso, emprestou uma mansão que a Conafer aluga para reunião de uma frente parlamentar com atuação no Congresso.
Em 14 de novembro de 2024, cinco meses antes de a Polícia Federal (PF) deflagrar a Operação Sem Desconto para combater fraudes no INSS, Lopes assinou um Protocolo de Intenções com o Incra, ligado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário.
À época, o Incra divulgou que "a parceria visa a colaboração para o acesso das famílias beneficiárias da reforma agrária aos serviços digitais" oferecidos pelo governo.
Questionado pelo g1 sobre os trabalhos desenvolvidos em conjunto com a Conafer, o Incra afirmou agora que "não houve parceria ou quaisquer ações efetivadas".
"O Incra assinou um Protocolo de Intenções — documento inicial que está atrelado a uma série de análises, como a situação de cada entidade, o tipo de serviço a ser prestado, se estariam aptas a realizá-lo, entre outros aspectos. Era apenas um documento inicial, justamente sujeito a análise", informou a autarquia.
O presidente da Conafer também é membro de um comitê vinculado ao Ministério da Agricultura.
Em março de 2024 e novamente em 24 de abril deste ano, um dia antes da Operação Sem Desconto, o ministério publicou no "Diário Oficial da União" a designação de Carlos Lopes como membro titular do Comitê Gestor do Plano de Desenvolvimento Agropecuário e Agroindustrial do Matopiba — um plano para investimentos nos estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, que formam o acrônimo.
A reportagem vem perguntando ao Ministério da Agricultura, desde a semana passada, quais trabalhos foram desenvolvidos por Carlos Lopes como membro do comitê gestor e como fica situação dele agora, como investigado pela PF. A pasta não respondeu.