
Um porta-voz do Exército de Israel afirmou nesta quarta-feira (27) que a evacuação da Cidade de Gaza, a mais populosa do território palestino, é "inevitável", enquanto tanques avançaram mais sobre a cidade, segundo a agência de notícias Reuters.
"A evacuação da Cidade de Gaza é inevitável, e, portanto, cada família que se mudar para o sul receberá a maior assistência humanitária possível, que está sendo organizada nestes dias. O Exército de Defesa começou a introduzir tendas, preparar áreas para a criação de complexos de distribuição de ajuda humanitária, instalar rede de água, entre outros", afirmou o porta-voz Avichay Adraee em comunicado.
A ONU afirma que o deslocamento forçado em massa de palestinos, como pode ocorrer na Cidade de Gaza, pode configurar um crime de guerra.
Na madrugada desta quarta, tanques israelenses entraram no bairro Ebad-Alrahman, uma nova região da periferia da Cidade de Gaza, e bombardearam casas, o que deixou feridos e causou a fuga de moradores do local, afirmaram testemunhas à Reuters. Moradores do bairro de Zeitoun relataram à agência AFP bombardeios noturnos intensos de aviões e drones.
Israel busca tomar a Cidade de Gaza como próximo grande passo na guerra contra o grupo terrorista Hamas —posteriormente, o objetivo é controlar todo o território palestino, segundo o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. O Exército israelense disse na semana passada que já iniciou os "primeiros estágios" da tomada da cidade. (Leia mais abaixo)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará uma reunião nesta quarta com membros de seu governo e Steve Witkoff, enviado especial para o Oriente Médio, para discutir a situação da guerra em Gaza. Witkoff afirmou que os EUA esperam que o conflito entre Israel e Hamas termine até o final do ano.
A Cidade de Gaza, que abriga mais de um milhão de palestinos, incluindo muitos deslocados pela guerra, enfrenta um aumento de bombardeios israelenses desde o dia 8 de agosto, quando o governo Netanyahu aprovou os planos para tomar a cidade.
Milhares de palestinos já fugiram da cidade, mas líderes religiosos disseram nesta quarta-feira que permaneceriam no local, pois deixar Gaza e tentar fugir para o sul seria “nada menos que uma sentença de morte”.
Diversos países da comunidade internacional e o papa Leão XIV fizeram apelos nos últimos dias para Israel parar com a guerra e aceitar uma proposta de cessar-fogo com libertação de alguns reféns em poder do Hamas, aceita pelo grupo terrorista em meados de agosto. Netanyahu, no entanto, afirmou que tomará a Faixa de Gaza de qualquer maneira e seu objetivo agora é obter a libertação de todos os reféns de uma vez.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, prometeu na semana passada destruir a Cidade de Gaza caso o Hamas não aceite o fim da guerra sob as condições do país.