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Reconhecimento facial do Smart Sampa não reduziu criminalidade na cidade de SP, diz estudo

Pesquisa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) apontou que índices de furtos, roubos e homicídios seguiram estáveis após a instalação do sistema. Prefeitura contesta metodologia e afirma que câmeras ajudam investigações.

Publicada em 01/08/2025 às 10:28h - 72 visualizações

por G1

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 (Foto: G1)

Lançado em 2024 com a promessa de transformar a segurança pública da capital paulista por meio da tecnologia, o programa Smart Sampa — que utiliza câmeras de reconhecimento facial — não reduziu os principais indicadores de criminalidade da cidade, segundo pesquisa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC).

Intitulada "Smart Sampa vigia, mas não protege", a pesquisa concluiu que não houve queda significativa nas taxas de furtos, roubos ou homicídios após a instalação do sistema. Além disso, o estudo não registrou aumento na produtividade policial, medida pelo número de prisões em flagrante ou cumprimento de mandados judiciais.

 

"Nosso estudo demonstra que as câmeras do programa Smart Sampa não se mostraram efetivas, porque, após mais de um ano de operação, não há qualquer evidência estatística de impacto na redução desses crimes, nem tampouco no aumento de prisões em flagrante ou por mandado judicial", disse Thallita Lima, coordenadora de pesquisa do CESeC.

O Smart Sampa foi lançado pela Prefeitura de São Paulo como a maior iniciativa de videomonitoramento da América Latina, com previsão de até 20 mil câmeras espalhadas pela cidade. A central de controle funciona 24 horas por dia, e o investimento mensal é de cerca de R$ 10 milhões.

Para Thallita, é preciso refletir sobre o custo de oportunidade dessa escolha. Segundo a coordenadora da pesquisa, esses recursos poderiam ser destinados a políticas com "comprovado impacto na redução da violência, como o fortalecimento do policiamento comunitário, programas de prevenção em territórios vulnerabilizados, urbanismo social, políticas de juventude e iluminação pública", afirmou.

 

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) divulgou nesta quinta-feira (31) o balanço das ocorrências do primeiro semestre de 2025. Segundo o Infocrim (Sistema de Informações Criminais), na capital paulista, os homicídios dolosos, quando há intenção de matar, e os furtos, aumentaram. Já os roubos, que são os assaltos com violência ou grave ameaça, tiveram queda em comparação com o mesmo período de 2024.

 

  • Homicídios dolosos: foram 221 registros no primeiro semestre do ano passado e 248, de janeiro a junho deste ano. Alta de 12,2%;
  • Furtos: passaram de 119.112 ocorrências em 2024 para 123.734, em 2025. Aumento de 3,8%;
  • Roubos: de 58.474 no ano passado para 50.358 neste primeiro semestre. Queda de 13,8%.

 

Durante a inauguração da central de monitoramento, em julho de 2024, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que o sistema seria interligado com o banco de dados de foragidos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas o órgão negou as tratativas.

Meses depois, o prefeito instalou um “prisômetro” no Centro da cidade — um painel eletrônico que mostra o número de foragidos capturados com o auxílio das câmeras. A promessa da gestão era que a tecnologia aumentaria a segurança da população, retiraria criminosos das ruas e agilizaria o cumprimento de mandados de prisão.

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