
O motorista de aplicativo Miquéias Carlos da Silva, morto neste domingo (20) numa UPA após agredir um passageiro e dois PMs que tentavam contê-lo, era alvo de 10 boletins de ocorrência registrados por diferentes crimes. Ele já teve passagem em casos envolvendo tráfico de drogas, agressão, desobediência e até calote
Na ocorrência que antecedeu sua morte, Miqueias, que tinha 34 anos, agrediu o passageiro Jean Louredo da Silva, de 23 anos. Consta no registro policial que a confusão ocorreu após o motorista "apresentar comportamento agressivo" durante a corrida.
A PM foi acionada e encontrou o motorista em estado aparente de surto, segundo o boletim de ocorrência. Os policiais precisaram pedir reforço para contê-lo. O homem tentou tomar a arma de um policial e deu um soco num agente de segurança mesmo após ser atingido por arma de choque. Ele foi encaminhado para uma UPA de Contagem, onde morreu (relembre o caso mais abaixo).
Entre as ocorrências anteriores, há casos de violência doméstica, desobediência, tráfico de drogas, favorecimento à prostituição e calote a um taxista. Isso não significa dizer que ele tenha sido condenado ou mesmo processado, mas que a polícia recebeu registros de supostos envolvimentos dele em crimes.
De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, não há processos criminais em aberto nem condenações contra o motorista. Houve registro de uma medida protetiva aplicada em desfavor de Miqueias, mas trata-se de um processo já arquivado.
Nas ocorrências como a de tráfico de drogas e favorecimento à prostituição, ele ainda era adolescente.
As ocorrências de violência doméstica envolvem Miqueias e a companheira, com quem ele teve dois filhos e se relacionou por sete anos.
Em 2023, a mulher registrou um B.O. contra ele relatando agressões físicas e psicológicas. Na ocasião, ela também relatou que, em outra data, foi empurrada contra a parede, enquanto segurava o filho no colo por causa de uma discussão sobre o uso do carro da família.
No caso de desobediência policial, Miqueias tinha 20 anos quando foi abordado pela PM, em Santa Luzia. Segundo o registro, ele estava em uma área considerada de alto índice de criminalidade.
Ao receber a ordem policial para colocar as mãos na cabeça, ele afrontou os policiais: "Não vou colocar as mãos na cabeça, se quiser podem me algemar". Miqueias foi advertido e respondeu mais uma vez: “Então me algema”. Acabou sendo preso por desobediência.
O caso de calote a um taxista ocorreu no Norte do estado, em uma viagem que ele fez entre os municípios de Pirapora e Ponto Chique. Neste caso, ele teria pagado apenas parte do que foi acordado.
Miqueias Carlos da Silva, morreu na manhã deste domingo (20), em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, após brigar com um passageiro, ser contido pela polícia e encaminhado para uma Unidade de Pronto Atendimento.
Durante a briga com o passageiro, a PM foi chamada. Quando a viatura chegou, a policial militar que dirigia o carro, foi agredida. Miqueias tentou tirara a arma dela. O outro militar que estava no banco do carona, tentou defender a colega e foi agredido com socos e chutes.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que o militar usa arma de choque e mesmo assim Miqueias reage. Foi chamado reforço. Após ser contido, ele é encaminhado para uma Unidade de Pronto Atendimento em Sabará. Quarenta minutos após dar entrada no local, ele teve uma parada cardiorrespiratória e morre.
A Polícia Civil informou que o corpo de Miqueias foi encaminhado para o IML, submetido a exame de necropsia e liberado à família. Foi aberta uma investigação sobre os fatos.
Já o passageiro Jean Louredo da Silva, agredido por Miqueias na ocorrência de Sabará, informou que prefere não falar sobre o assunto neste momento.