
Oito caminhões com mercadorias são roubados por dia no estado do Rio de Janeiro, segundo o Governo do Estado. Vídeos obtidos com exclusividade pelo RJ2 e a Globo News mostram a atuação de quadrilhas especializadas, que sequestram motoristas, desviam rotas e descarregam produtos em feiras livres e comunidades dominadas pelo tráfico.
Em um dos flagrantes, registrado por câmeras instaladas na cabine de um caminhão, o motorista é rendido por criminosos armados. O alarme de segurança indica que o veículo saiu da rota e o motorista tenta explicar que o veículo é monitorado e vai reduzir a velocidade de forma automática.
"Tá bloqueado, chefe", diz o motorista, enquanto é seguido por bandidos em motos.
A imagem mostra que o caminhão bloqueado começa a perder potência do motor, mas antes de parar o veículo começa a ser empurrado por outro caminhão da quadrilha.
O comboio criminoso leva a carga para a Favela da Fazendinha, no Complexo do Alemão. Lá, os bandidos usam ferramentas e até uma serra elétrica para abrir o baú.
"Abre o baú logo... nós vai meter porrada e bala na cara", ameaça um dos assaltantes.Em outro vídeo, gravado na Rodovia Washington Luís, na Baixada Fluminense, um bandido invade a cabine pela janela. O caminhão, carregado com alimentos, é levado com o motorista refém. O prejuízo estimado é de R$ 150 mil.
Mais de 1,3 mil roubos em 5 meses
Entre janeiro e maio de 2025, o estado registrou 1.305 roubos de carga — um aumento de 30% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP). Em média, são oito veículos com cargas roubados por dia no estado do Rio.
A Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) aponta que 90% dos crimes são cometidos por narcotraficantes.
"O roubo de carga é uma das atividades mais lucrativas para as facções. O investimento é baixo e o lucro, muitas vezes, milionário", afirma o delegado Fábio Asty.
Já para a indústria, o impacto é direto.
"O roubo de carga encarece toda a cadeia de produção. Esse prejuízo é repassado ao consumidor", explica Luiz Cesio Caetano, presidente da Firjan.