

Motoristas que tiveram seus ônibus tomados por bandidos nesta terça-feira (15) no entorno da comunidade da Serrinha, em Madureira, na Zona Norte do Rio, relatam a tensão e o medo vividos. Mais de 20 coletivos foram usados como barricadas em represália a uma ação da PM na comunidade.
"Foi um momento de tensão. Vieram um pessoal encapuzado tocando o terror, mandaram eu atravessar o carro na pista, sabe?! Todo mundo correndo, os passageiros descendo tudo apavorado. Aí atravessaram os carros na pista", contou um dos motoristas.
Outro relatou que as chaves foram quebradas propositalmente.
"Tiraram a gente do volante, quebraram a chave na ignição. Tanto que o ônibus não conseguia mais ligar. Só sei que foi uma cena de terror, parecia que eu estava numa guerra", relata.
A operação começou de manhã, mas os bandidos continuaram se apoderando de coletivos ao longo do dia.
"Vou ser sincero, já estou acostumado com a violência do estado do Rio. Já é um costume, virou cotidiano. A gente que trabalha com isso diariamente já se acostumou. Não adianta a gente falar que é uma coisa diferente, que não é. É normal, virou nosso dia a dia", desabafa um motorista.
O número de ônibus transformados em barricadas nesse ano superou o registro no mesmo período do ano passado, segundo a Rio Ônibus.
Até julho de 2024, tinham sido 74 ônibus sequestrados, contra 82 usados como barricadas até julho deste ano.
A Polícia Militar admite que represálias assim são esperadas, mas que não consegue evitar.
"É algo complicado por conta das várias entradas e saídas das comunidades. Uma pessoa pode estar simplesmente parada no ponto de ônibus, ele parou, a pessoa anuncia para o motorista que é pra parar, toma a chave e vai embora. É uma situação que de certa forma o grau de previsibilidade de onde vai acontecer é difícil", afirma a tenente-coronel Cláudia Moraes.
A Rio Ônibus cobra das autoridades um plano para prevenir esses ataques.
Desde segunda-feira (14), agentes do Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar fazem uma operação na comunidade da Serrinha.
De acordo com a Polícia Militar, o objetivo da operação é reprimir a atuação de criminosos na região.
A comunidade da Serrinha é comandada pelo traficante Wallace Brito Trindade, o Lacoste.