
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (6) que vai impor uma tarifa adicional de 10% a “qualquer país que se alinhar às políticas antiamericanas do Brics”. A medida foi anunciada por meio de sua conta na rede social Truth Social.
Em outra publicação, o republicano informou que cartas e acordos tarifários com os países começarão a ser entregues a partir das 12h desta segunda-feira (7), no horário de Washington (13h, no horário de Brasília).
Trump também disse que essas tarifas não entrariam em vigor até 1º de agosto. A medida marca um acréscimo de três semanas para renegociar acordos bilaterais para evitar o tarifaço lançado em abril.
A suspensão de 90 dias das tarifas impostas pelo republicano estava prestes a expirar, no próximo dia 9 de julho. Washington fechou apenas pactos limitados com o Reino Unido e o Vietnã. A maioria dos países ainda tenta evitar as tarifas anunciadas, que podem variar entre 10% e 50%.
A União Europeia negocia para evitar sobretaxas em setores como agricultura, tecnologia e aviação, mas ainda enfrenta impasses com os EUA. Japão, Índia, Coreia do Sul, Indonésia, Tailândia e Suíça também correm para apresentar concessões de última hora.
O Brasil assumiu a presidência rotativa do bloco em 1º de janeiro de 2025. Os representantes dos países que compõem o Brics estão reunidos no Rio de Janeiro até esta segunda-feira.
Em outra parte do documento divulgado ontem, o bloco trata da segurança global, com destaque para:
A declaração foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que “o uso de tarifas não serve a ninguém” e declarou que “se opõe ao uso de tarifas como ferramenta para coagir outros países”.
A Rússia também respondeu às declarações de Trump. “Vimos, de fato, essas declarações do presidente Trump, mas é muito importante destacar que a singularidade de um grupo como o Brics está no fato de que ele reúne países com abordagens e visões de mundo comuns sobre como cooperar com base em seus próprios interesses”, disse o porta-voz Dmitry Peskov.
Ele acrescentou que “essa cooperação dentro do Brics nunca foi e nunca será dirigida contra terceiros”.
A África do Sul seguiu a mesma linha. Para o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Chrispin Phiri, o Brics deve ser visto como um movimento em prol de um “multilateralismo reformado, nada mais”.
Segundo ele, “os objetivos do Brics são, principalmente, criar uma ordem global mais equilibrada e inclusiva, que reflita melhor as realidades econômicas e políticas do século 21”.